Eu tinha algo imensamente grande na vida. Esse algo era algo bom, entretanto eu não tinha a noção exata do quão bom era. Quando acordei hoje, percebi que fazia muito calor. Sai do meu quarto, com a visão ainda meio turva, e vi alguns raios de sol entrando em minha casa. Parei - ainda no escuro - e dali, olhei apenas os raios, a claridade... E vi algo. Não tinha forma exata, com tudo transmitia uma relevante leveza aos meus olhos, meu corpo. Parecia que eu estava viajando nos raios de sol, que por um momento eu não estava mais só. Eu sabia exatamente o que eu tinha em mãos, o que aquilo significava.
Todavia o sol não dava a mínima para o que pensava dele, para o que aquele momento tinha de especial. Não tinha sentimento, nem forma. Já ela, ela sim. Ela tinha sentimento, forma, coração... E eu ainda pensava que não. Certa vez num círculo de conversa com grandes figuras e eruditas de minha cidade, ouvi um ditado: "A gente só aprende a dar valor quando perde". No momento em que ouvi, entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Não entendia o que as palavras diziam. Entretanto, hoje eu entendi. Eu entendi que o maior peixe do rio fica tão grande porque nunca é pego; entendi que quando alguém chega tão longe você se lembra o quanto ainda tem que percorrer; entendi que não se deve julgar o livro pela capa; que os anos deixam rugas na pele, mas a perda de entusiasmo deixa rugas na alma; entendi que conhecereis a verdade e a verdade vos libertará; que caminhão de mudança não segue o carro fúnebre; que se derramar o sangue do homem, pelo homem seu sangue será derramado; que se você não é o cão líder a vista nunca muda; que ser polivalente é cagar e andar ao mesmo tempo; que tudo sempre piora antes de melhorar; que a vida é a arte do encontro; que se não vives como pensas, terminarás pensando como vives; que em vez de amor, dinheiro, fé, fama, equidade, eu prefiro a verdade; que a fragilidade do cristal não é a fraqueza, mas sim a pureza; que felicidade só é de verdade quando compartilhada; que a dúvida pode ser um elo tão forte e duradouro quanto a certeza; que devíamos ousar conquistar a nós mesmos; que da jornada a melhor parte não é nem a chegada, nem o tempo ou a medalha, mas, distraído, reparar a paisagem; que uma pessoa pode sentir vontade de ir e ao mesmo tempo de ficar; que se preucupar é que nem uma cadeira de balanço, te dá algo para fazer, mas não te leva a lugar nenhum; que pelo fruto se conhece a árvore; que morre o homem e fica a fama; que o homem que não tem algo ou alguém pelo qual aceitaria morrer, não é digno de viver; que a neve e a tempestade matam as flores, mas nada podem contra as sementes. Entendi que enquanto estiver vivo, sinta-se vivo. Se sentir saudades do que fazia, volte a fazê-lo. Não viva de fotografias amareladas... Continue, quando todos esperarem que desistas. Não deixe que enferruje o ferro que vive em você. Faça com que em vez de pena, tenham respeito por você. Quando não conseguir correr através dos anos, trote. Quando não conseguir trotar, caminhe. Quando não conseguir caminhar, use uma bengala. Mas nunca se detenha...
Se ela um dia pudesse ler isso, ela entenderia. Porque eu já entendi, entendi que pelo o que foi, já valeu.